De tempos em tempos algum evento chocante – como a morte estúpida de inocentes pela mão de um doente mental, em condições tão ilegais e incontroláveis quanto a ação de qualquer criminoso – oferece a certos grupos organizados, com agendas nada transparentes, a oportunidade de voltar a bater na tecla absurda do desarmamento das vítimas da violência. É assim aqui e em todo canto.

A consequência é que, aos poucos, apesar da fragorosa manifestação popular, com 60 milhões de votos rechaçando o conceito no recente “Referendo do Desarmamento“, elimina-se gradualmente mais uma escolha do indivíduo, deixando-o à triste mercê da bandidagem e daqueles – não oficialmente bandidos – a quem as armas estarão sempre disponíveis.

George SorosUma das faces visíveis do movimento desarmamentista global é o especulador multi-bilionário húngaro George Soros, cujo Open Society Institute (OSI) alimenta com milhões de dólares iniciativas em todo o planeta – algumas inocentes-úteis, a maioria profissional e organizada – que rezam pela cartilha sorista de limitar o acesso a armas de fogo aos governos, e aos privilegiados, como Soros, que os controlam.

Soros, como todo bilionário, é uma pessoa extremamente bem protegida. Dezenas de guarda-costas de alto nível, com acesso a todo o armamento que desejarem – inclusive as armas automáticas vedadas ao cidadão comum em muitas jurisdições – asseguram a seu protegido toda a privacidade e segurança que lhe permitam desfrutar em paz e conforto dos seus bilhões.

Nada contra a segurança desfrutada pelo Sr. Soros. Não seria ela, no entanto, objetivo e direito de todos nós? Por que esforça-se tanto para retirar-nos os mais básicos meios de defesa, quando dispõe para si dos mais sofisticados e eficazes? Pela mesma razão que o político corrupto vota com alarde pelos projetos de lei que aumentam as penas dos crimes pelos quais acredita jamais será descoberto e condenado. Pela mesma razão que o carro do prefeito estaciona onde quer e o nosso é multado pela prefeitura onde quer que pare. Pela mesma razão que os poderosos se deslocam com agilidade, precedidos de batedores, enquanto nós contribuintes, que pagamos os salários dessas autoridades – e desses batedores – aguardamos engarrafados a passagem de suas excelências. Porque o que é certo para nós não se aplica a quem nos controla.

Então, na desagradável hipótese de invasão de uma residência por bandidos armados – e não há, em nenhum continente, país em que os bandidos não se consigam armar – teremos dois possíveis desenlaces. Se a residência for uma das inúmeras luxuosas propriedades do Sr. Soros pelo mundo, os meliantes que ultrapassarem os alarmes, câmeras e vidros blindados serão confrontados pela guarda armada, mortos ou detidos até a pronta chegada das autoridades policiais locais, para quem a defesa do bilionário será sempre alta prioridade. Se a casa for nossa, quanto tempo levará para que consigamos acionar a polícia e vê-la chegar? O que fazer até que isso ocorra? Além de rezar…

Uma das partes mais deploráveis da retórica desarmamentista está na repetição incessante da afirmação de que o cidadão comum não tem condições de defender-se de forma eficaz com uma arma de fogo. Tanto se repete isso que vemos as autoridades policiais recomendando à população que não reaja, não se defenda, entregue tudo aos bandidos e contente-se em ficar vivo – como se fosse a cooperação com os criminosos garantia de segurança. Será isso verdade?

Quase todos nós podemos ser convocados, em tempo de guerra, para pegar em armas na defesa do Nosso País. Nessa hora, somos supostamente capazes de enfrentar exércitos inimigos, valendo-nos de fuzis, metralhadoras, bazucas e artefatos mais cabeludos. Mas um simples revólver ou pistola, que poderiam significar nossa sobrevida até, ao menos, a chegada da polícia… Para isso somos incompetentes!

Soa bonito: Defesa do Nosso País! Nosso? Será mesmo nosso o País que nos apressamos em defender? Serão acaso destacadas tropas para proteger nossas casas ou iremos nós defender os palácios onde estão instalados os mesmos políticos que nos negam o direito de defender nossas famílias?

Mesmo os mais acomodados dentre nós já terão percebido que o verdadeiro exercício do poder está na eficaz manipulação da sociedade, que a repetição incessante dos maiores absurdos lhes confere status de verdade inquestionável, que os fatos já cederam há muito lugar à percepção e que a percepção dominante é aquela disseminada pelos grupos organizados, que patrulham com violência as vozes dissidentes.

Mas está na acomodação dos formadores de opinião o maior trunfo dos que querem subtrair-nos o direito de defesa, até que, indefesos, não possamos resistir ao que vem em seguida…

Esta página vai reunir alguns textos e informações para reflexão sobre a visceral questão do direito de defesa e dos esforços dos que se acham melhores e mais importantes que nós para desarmar a todos que obedecem a lei… menos eles!

Fotos: Trokilinochchi, “Grief”, Flickr, Sep 2008, Creative Commons (BY); Michael Wuertenberg, “George Soros – World Economic Forum Annual Meeting 2011”, Flickr, 27 Jan 2011, posted by World Economic Forum, Creative Commons (BY-SA); Photochiel/Michiel S., “Bodyguarded”, Flickr, 1 Nov 2005, Creative Commons (BY-NC-ND); Danny McL, “Danish PM visits Budapest”, Flickr, 9 May 2008, Creative Commons (BY-NC-ND); Martin Deutsch, “Security”, Flickr, 8May 2008, Creative Commons (BY-NC-ND); Gia Ciccone, “Scared”, Flickr, 22 Mar 2008, Creative Commons (BY-ND); Mateus_27:24&25, “@Germany-Soldiers Bundeswehr+G36”, Flickr, 24 Apr 2002, Creative Commons (BY-ND); phdstudent, “Changing the guard”, Flickr, 30 Aug 2006, Creative Commons (BY-NC-SA); Connie Théas, “No Way Out”, Flickr, 14 Jun 2009, Creative Commons (BY-NC-SA).