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Uma imagem vale mesmo mil palavras? Na época em que os fatos cederam lugar à percepção, em que o que se vê pode não estar lá, ou pode estar recortado, montado ou photoshopado, talvez não…

A foto acima ilustra bem a questão. Vista por inteiro, é nítido o socorro dos soldados ao inimigo caído. Mas vista no recorte à esquerda, temos a ameaça armada a quem está no chão. Quem escolhe o que mostrar? Quem publica…

Com toda razão, o brasileiro está hoje muito indignado! O país não tem infraestrutura básica e torra milhões em projetos supérfluos, em detrimento de nossas maiores necessidades. Somos sobretaxados, desrespeitados e roubados diariamente pela corja que se apossou do país. A consequência natural é a frustração, o desejo de se rebelar contra o quadro de podridão em que se transformou a política nacional. O protesto está nas ruas e só o futuro dirá se isso fará diferença na vida nacional.

Mas além daqueles cidadãos esclarecidos que se reunem para protestar, bem como dos milhares que não têm idéia do que fazem nas ruas, há dois outros grupos em ação.

Um de criminosos comuns, que se prevalece da confusão para quebrar vidraças e roubar-lhes o conteúdo. É o mesmo que furta celular no bloco de carnaval, que saqueia caminhão virado. Para eles, é mais uma chance de faturar.

Outro, bem mais perigoso e escorregadio, é o que agita, convoca, incita, põe pilha, começa a confusão… e foge, deixando a multidão de inocentes úteis respirando o gás lacrimogêneo. É o que vandalisa, põe fogo, destrói o patrimônio privado e o público, envolvendo quem quer fazer seu legítimo protesto em algo de que nunca pretendeu participar.

A agenda dessa gente é muito escondida. São invariavelmente operadores de grupos políticos que vêem na comoção e no caos oportunidades de aumentar seu poder. De um lado, criam a confusão de que pessoas saem feridas, do outro, seus mandantes se solidarizam com as vítimas, responsabilizam inimigos políticos e conquistam votos com cínicas declarações de apoio ao protesto.

Esses são os deploráveis manipuladores da TrucuLente, um truque com as lentes para mostrar o que lhes convém.

Não há dúvida de que as forças policiais no Brasil precisam – e muito – de treinamento, para desempenhar corretamente sua missão vital, de ser a fina linha azul que separa o bem do mal, que serve e protege a sociedade e o cidadão. Esse despreparo resulta muitas vezes em excesso de força ou mesmo tragédia.

Mas não há nada mais fácil do que criar a oportunidade fotográfica que espalhe pelo mundo a noção falsa do uso arbitrário da violência pela polícia. Dois exemplos, ambos recentes.

Pimenta

Essa foto percorreu as redes sociais com estardalhaço, chocando milhares de pessoas de bem. Vê-se um policial paulista borrifando pimenta. Vê-se também um cinegrafista. Conclusão imediata: policial agredindo a imprensa. A grita é, compreensivelmente, geral.

Mas basta olhar com um pouco de cuidado que se vê nitidamente que o jato de pimenta passa ao lado do cinegrafista e está claramente dirigido a quem está atrás dele, com a mão inclusive apoiada no jornalista. Quem é o verdadeiro destinatário da pimenta? O que terá feito o policial lançá-la? A raiva estampada no rosto do policial é gratuita? É um animal enfurecido e descontrolado ou um exasperado agente da lei tentando conter um vândalo ou um agressor? Isso só sabe quem estava lá. Só quem viu a foto inteira.

Cena

Outra foto mereceu grande destaque na imprensa, em matéria sobre a distância recomendada para o uso de balas de borracha. Vê-se um grupo de policiais à esquerda, o primeiro deles com a arma apontada… para o chão. O dedo, corretamente fora do gatilho. Ao fundo, um grupo muito curioso, faz expressões de horror e desespero. Entre eles a única prova material da foto. Uma lixeira verde, arrancada de seu poste, produto do vandalismo que não hesita em causar dano ao patrimônio público.

Olhe bem para a foto. Você vê algo mais que esteja lá ou vê o que a matéria sugere que está lá?

Cena 2

Veja agora a foto por outro ângulo? O que há de concreto? Pois é, mais uma lixeira atirada ao chão, atrás dos policiais. E à esquerda, os fotógrafos. Percebeu o drama? Olha a foto-oportunidade criada para vender ao mundo a percepção de truculência.

A receita é fácil! Posicione seus fotógrafos, provoque o policial com insultos, afrontas, talvez arremessando umas pedras (ou lixeiras?), até que ele reaja. Simule pânico. Clique. Photoshop. Publique na Internet. Não quer risco? Mobilize um punhado de populares ignorantes e deixe a provocação e o risco com eles. As caras de pânico ficam muito mais convincentes do que as dos barbudos acima.

Infelizmente, sequelas da época militar em que as manifestações eram fortemente coibidas, aliadas à desconfiança que subsiste quanto à correção do trabalho policial, tendem a criar uma presunção de culpa que a polícia tem grande dificuldade em reverter. O que torna muito mais fácil a missão da TrucuLente…

Aqueles com um mínimo de informação sabem que os milhões de eleitores cujo sustento é provido pela esmola mensal que lhes compra o voto são suficientes para dificultar a depuração do poder público. Não sei até que ponto a mobilização da sociedade é capaz de superar essa barreira, mas é preciso tentar.

Mas o bom senso e a isenção que esperamos dos nossos representantes deve ser igual ao que empregamos ao examinar o material de desinformação a que somos expostos todos os dias.  Olho vivo!

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