Wimbledon

Acabo de assitir a vitória de Roger Federer sobre Ivo Karlovic, nas quartas de final de Wimbledon. Pela primeira vez, no entanto, fiz isso com um prazer que só tive nas duas ocasiões em que assisti aos jogos ao vivo, na Centre Court, há mais tempo que gosto de lembrar. Isso porque, a Net fez a transmissão da SporTV, no canal de alta definição, com a opção de áudio totalmente livre de comentários. Som da bola na raquete, a marcação do juiz e as palmas da platéia, em digital estéreo. Com direito a replay!

Talvez seja a mediocridade do meu jogo de tênis, mas acho a narração e os comentários durante a partida desnecessários e irritantes. Afinal, estamos vendo o jogo! Os comentaristas parecem sentir-se obrigados a dizer algo o tempo todo, quase como se fossem remunerados por palavra, com bônus pelo uso de jargão. Na falta de uma jogada para descrever, evocam estatísticas ou lembranças de outros jogos e – o pior – lançam frases proféticas sobre as chances de vitória de quem acabou de marcar um ponto, que vão sendo calibradas à medida em que o outro jogador pontua. Algo como “cantei essa vitória no primeiro set.

Wimbledon veio, também, com menos estatísticas que Roland Garros. Pessoalmente, não tenho o menor interesse nessas verdadeiras planilhas computadorizadas que me contam o número de unforced errors, double faults ou o percentual de aproveitamento de segundos saques, sobretudo se continuam exibidas quando o jogo já recomeçou. Preferia ver, nos intervalos, imagens da Sara Foster na platéia ou da Anna Kournikova bebendo Evian.

É como a diferença em milésimos de segundo entre o quarto e o quinto colocados numa corrida de fórmula 1. Desculpem, deve ser meu problema com a matemática, desde o primário…

Mas não hoje. Com a excepcional qualidade da imagem e som, sentado em meu sofá mais confortável, só senti falta – e aí foi erro meu de planejamento – dos sanduíches de salmão, morangos com creme e champagne, que são a dieta padrão de Wimbledon…

Foto: E01, “Wimbledon 2009: Centre Court panorama”, Flickr, 27 Jun 2009, Creative Commons (BY-NC-SA)