A árvore da Lagoa se acende (reacendendo a polêmica em torno de sua existência, e mais outra quanto ao benefício fiscal da patrocinadora… vamos combinar que esse povo adora uma polêmica!) e com ela (a árvore e não a polêmica) a espantosa conclusão de que lá se vai mais um ano. Repitam em coro: “Como passou depressa!”

Quem fez fez, quem não fez vai ter que correr, mas é claro que sempre tem o ano que vem…

Nosso Blog, ao contrário das intenções, muito pouco fez em 2011. Fotos de Aventoe, prometidas com alarde em Natais passados, menos ainda! Mas está na ausência de prazo, na falta de obrigação, no doce deleite de fazer se e quando dá vontade, uma das maiores alegrias do blogueiro. A outra, evidentemente, é o prazer de saber lidas algumas das linhas que deu vontade traçar.

A vocês então, Leitores generosos das ocasionais linhas que a vontade e o tempo me permitiram escrever neste ano, minha gratidão. Tal como a existência perene-enquanto-dure do Blog, imorredoura a gratidão aos que me prestigiam com suas importante visitas.

Um Natal de muita paz, saúde e harmonia. Sonhos bonitos para 2012 e entusiasmo para persegui-los!

Abraços de Aventoe!

Foto: Rachel Patterson, no title, Flickr, 7 Dec 2009, Creative Commons (BY-NC-ND)

Existe um certo consenso de que há duas organizações públicas que funcionam bem no Rio de Janeiro, a Comlurb e o Corpo de Bombeiros.  Acrescento à lista, em vista do recente progresso na área da segurança pública, a Polícia Militar, ou pelo menos uma parte dela. No que pese o insucesso que tive na única vez em que precisei recorrer aos bombeiros, já relatado no Blog, cresci admirando os soldados do fogo, que arriscam suas vidas para nos salvar.

Sua missão é fundamental, fazendo-se presentes desde o mais simples atendimento médico nas ruas, passando pelo salvamento de afogados e combate a incêndios, até a localização e resgate das vítimas de acidentes aéreos ou catástrofes naturais. É obrigação do Poder Público certificar-se que estejam disponíveis, treinados, equipados e motivados para desempenhar com eficiência sua indispensável tarefa.

A julgar pelas informações recentemente veiculadas na imprensa, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, apesar da elevada arrecadação – inclusive a gerada pela Taxa de Incêndio – tem negligenciado os bombeiros, cuja remuneração é das mais baixas para a atividade no País.

Esse descaso inaceitável resulta em sofrimento para suas famílias e intranquilidade para os profissionais, incompatíveis com o nível de dedicação que deles se espera.

Infelizmente, vigora no Brasil a deplorável noção, oriunda do baixo sindicalismo instalado no País, de que para reivindicar melhorias é necessário atormentar a vida do cidadão. Fonte dos recursos geridos pelo Poder Público mas desprovida de grande ingerência na sua aplicação, vê-se a população submetida a colossais engarrafamentos de trânsito, que lhe retardam injustificadamente o regresso ao lar, porque determinada categoria resolveu marchar pela Avenida Rio Branco na hora do rush. O pleito dos manifestantes pode ser justo, a inconveniência que causa jamais será.

Foi assim que, por diversas vezes, os bombeiros cariocas infernizaram o trânsito do Centro para atrair atenção à sua causa. Não é decerto a melhor forma de assegurar-se do apoio da população.

Como sabe cada candidato antes de ingressar na corporação, ao tornar-se bombeiro estará adotando uma carreira nobre, essencial e militar. A nobreza está no risco que voluntariamente assume em prol da vida da população a que serve. A essencialidade da função lhe retira a faculdade de interromper ou reduzir, por qualquer razão, a prestação do indispensável serviço, cuja falta poderá resultar em mortes. A natureza militar o submete, dentro dos limites da Lei, ao cumprimento de ordens.

Assim, não importa quão desesperada a causa, não pode haver posto de salvamento sem guarda-vidas, caminhão de bombeiros sem guarnição ou ambulância sem médico. Não é opcional, não depende do valor da remuneração ou dos benefícios. Ninguém é obrigado a ser bombeiro mas, enquanto o for, a omissão não é uma alternativa.

A natureza da corporação tem raízes históricas. Em princípio, a função de bombeiro – tal como a de controlador do tráfego aéreo – não depende de uma estrutura militar. No primeiro mundo, bombeiros e controladores, quando não são voluntários, são invariavelmente civis. A limitação de recursos à época da criação dos serviços resultou em que fossem eles literalmente pendurados na estrutura militar. Como se pendurou hoje na Comlurb a poda de árvores na via pública.

A consequência, no entanto, é que numa organização militar o respeito à hierarquia e o cumprimento de ordens, nos limites legais, não estão sujeitos a condicionantes ou circunstâncias.

Assim, ao ocuparem um quartel e recusarem-se a obedecer ordens, 439 bombeiros não se tornaram heróis. Tornaram-se insubordinados, quiçá amotinados. Mesmo em tempo de paz, isso pode bem resultar em expulsão da corporação, ao menos daqueles que se comprove terem agido de livre vontade, deliberadamente. Uma pena!

A população, que depende de bons bombeiros para sua segurança, deve mobilizar-se para que a carreira seja valorizada, dando tranquilidade a profissionais tão indispensáveis e suas famílias.

Os bombeiros, como as outras categorias com legítimas reivindicações, precisam aprender que não será jamais criando inconveniência para a população, negligenciando suas funções ou descumprindo a lei, que irão conquistar o apoio da comunidade.

Fotos: Juliana S., “E no meio do caminho tinha um hidrante“, Flickr, 26 Apr 2007, Creative Commons (BY-NC-SA); Carlos Trindade Conceição, “Bombeiros“, Flickr, 11 Jun 2011, Creative Commons (BY-NC-SA); Christopher Reilly, “Fireman“, Flickr, 1 Mar 2010, Creative Commons (BY) [editada].

Presenciei ontem, pela enésima vez, uma cena deplorável. Parado no sinal, ao lado de um táxi, começo a ouvir a detestável buzininha de uma motocicleta. Bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi-bi… O irritante barulho, que o desleixo do Poder Público incorporou à já carregada trilha sonora dos centros urbanos, prenuncia a chegada iminente dos donos da rua.

Como quase todo cavaleiro de duas rodas nacional, esse infeliz julga-se detentor de incontestável direito de passagem entre as já arranhadas pinturas dos automóveis, que aguardam pacientemente sua oportunidade de transitar.

Parados estávamos, parados continuamos, não por opção, mas por falta dela. Frustrado no que considera sua prerrogativa de trânsito livre, resolveu o ansioso cowboy do asfalto passar assim mesmo. E veio, quase raspando, até que, já livre para voar até o próximo gargalo, deliberou punir o táxi que involuntariamente lhe obstara a passagem, deslocando-lhe com um golpe de cotovelo o espelho retrovisor. Que ficou pendurado, balançando…

Não era um motoboy ignorante, apressado para entregar no prazo a pizza ou a encomenda. Era uma bela e barulhenta moto BMW, de 1200 cilindradas. Era alguém cujo investimento em transporte sugeria, ao menos, a oportunidade de se educar, de saber melhor.

Quem já dirigiu pelo primeiro mundo testemunhou a civilizada presença de motocicletas, trafegando como todos nas faixas de rolamento. Gente que tem prazer no contato mais próximo com o ambiente, não se incomoda com o vento e a chuva, gasta menos com combustível e estaciona mais fácil. Que respeita automóveis e pedestres e é por eles respeitado.

Morrem no Rio de Janeiro, a cada dia, ao menos dois motociclistas. Uma estatística triste, que resulta preponderantemente da inconsequência das próprias vítimas e da omissão das autoridades, que fingem não perceber a bagunça que corre solta.

Não quero entrar no debate quanto à segurança da motocicleta, ainda que me pareça evidente a fragilidade do veículo cujo parachoque é a testa do condutor. Morre-se muito de carro também. Mas há muito mais consciência dos perigos da direção perigosa de automóveis, enquanto motociclistas se matam sem parar, com pouco ou nenhum esforço governamental quanto ao problema.

De qualquer modo, a opção por veículo mais ou menos perigoso, ou pela direção mais ou menos responsável, é do motorista. Automóveis no Rio são multados à toa. Motos estão totalmente sem controle.

Mas sabe como é: motoqueiro vota, e protesta em bando. Coisa que político brasileiro não acha que é pago para enfrentar. Mais fácil multar o infeliz que transita a caminho da oficina sem o retrovisor que um motoqueiro arrebentou…

Em São Paulo, o quadro é mais caótico. O motorista que não andar colado ao meio fio, para assegurar às motos um amplo corredor preferencial, é vítima certa de dano deliberado. E se alcançar o criminoso – porque destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia por motivo egoístico é crime de dano qualificado, segundo o art. 163 do Código Penal – será imediatamente cercado pela solidária turba de motociclistas. Aí passamos a outro artigo, mais violento, do Código Penal…

Veículo por excelência para o assalto ou assassinato, o uso da motocicleta para transporte de passageiro – o popular garupa – vem sendo proibido em várias jurisdições, até mesmo na vizinha Colombia, onde era instrumento letal do narcotráfico. A passagem corriqueira de motociclistas entre os carros é garantia de que a vítima será surpreendida. Não fosse o risco ao próprio e ao patrimônio de terceiros, a segurança coletiva exigiria por si só o fim da prática.

Nada do que escrevi é novidade. Todo mundo sabe, a maioria se acomoda, o governo finge que não vê, e o abuso continua. Quantos mais motociclistas terão que morrer, quantos carros serem danificados, quantos assaltos ou homicídios de moto, até que algo seja feito?

Fotos: David DeHetre, “bmw r75”, Flicker, 28 Aug 2010, Creative Commons (BY); Milton Jung, “Moto estaciona na 23 de Maio”, Flickr, 5 Dec 2009, Creative Commons (BY); Cleidomar Barbosa Antunes, “Acidente 032”, Flickr, 20 Oct 2009, Creative Commons (BY-NC-SA); Bruno Souza Soares, “Mototaxista bate em caminhão e morre”, Flickr, 4 Feb 2010, Creative Commons (BY-NC-SA); Roberto Corralo, “La Fuga”, Flickr, 30 Apr 2009, Creative Commons (BY-NC-SA).

A sociedade brasileira está, como todas, em constante mudança. Não necessariamente evolução, que sugere aprimoramento, mas experimenta sem dúvida alterações de comportamento relevantes.

Não há mudança sem pressão e não há resistência sem empenho. Assim é que o esforço de meia dúzia de determinados triunfa invariavelmente sobre a inércia de multidões. É o “quem não chora não mama” levado à última consequência.

Sob a multicolor bandeira do arco-íris, uma verdadeira cruzada conquistou importante vitória para os casais homossexuais. Anos de paradas e passeatas, shows, ações de mídia, lobby de deputados e senadores, pressão nas galerias e, lamentavelmente, patrulhamento ostensivo das vozes dissidentes, culminaram no reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal da validade da união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Nada a opor a que sejam todos felizes, cada um à sua maneira. Questões difíceis, contudo, quanto à adoção de crianças por esses casais. Despropositada a distribuição de cartilhas nas escolas sugerindo a homossexualidade, não como orientação a ser respeitada, mas como saudável e natural alternativa. Mas não é disso que trata o post.

No embalo dessa inegável conquista, erguem-se agora as demagógicas vozes da politicalha nacional, buscando perpetrar um dos mais violentos golpes contra as liberdades individuais.

Sob o pomposo epíteto de “criminalização da homofobia”, pretende essa hoste de pseudo defensores dos direitos civis, impor limites à liberdade de expressão, num grau de fazer inveja à junta militar de Myanmar.

Não há meio termo aqui. Cada um de nós tem o direito inalienável de pensar como quiser e dizer o que pensa. Seja o que for. Por mais absurdo, desagradável, ofensivo mesmo.

Frases como “blogueiros só escrevem besteira”, “todos os políticos são corruptos”, “mulheres ao volante, perigo constante” ou (parodiando o Príncipe de Gales) “a contribuição da Luftwaffe para a silhueta de Londres foi menos danosa que a dos arquitetos – afinal, os bombardeios só deixavam entulho”, podem não ser 100% verdade – ao menos quanto aos blogueiros – mas são a expressão do mais sagrado direito em uma sociedade democrática: o de expressar com absoluta liberdade as suas opiniões, por mais controvertidas e impopulares.

Os leitores do Blog conhecem a opinião de Aventoe sobre a legalização das drogas. Sem prejuízo dela, é absolutamente intolerável que se proibam manifestações em seu favor, como a “Marcha da Maconha”. É direito inquestionável dos defensores da idéia lutar pelo que acreditam; cassar-lhes a palavra é tão abusivo e grave quanto proibir o discurso contra as drogas. O que não quer de modo algum dizer que o consumo de drogas pelos manifestantes não deva ser reprimido na forma da Lei.

Assim é que, onde as liberdades civis são levadas a sério, manifestações públicas de qualquer natureza – observadas as regras que asseguram a segurança pública e minimizam a inconveniência à comunidade – são não apenas livres, como contam com proteção policial.

Não se confunda o direito de dizer o que se pensa com liberdade para agredir, incitar contra, ou violar direitos de terceiros.

Quando o MST clama pela divisão da terra alheia entre seus integrantes, exerce o legítimo direito de se expressar. Quando invade propriedade privada, comete um crime somente menor do que o administrador público que não o impede.

Não se pode respaldar nas conquistas sociais a tolerância à conduta ilegal, imoral ou inadequada. Hoje, os excessos de um casal de namorados, ao fazer em público o que lhes é assegurado na intimidade, pode perfeitamente receber uma reprimenda – exceto se o casal em questão for homossexual, quando a legítima advertência adquire como por mágica conotação homofóbica. É a absurda e injustificada exclusão de determinado grupo ou categoria das regras elementares do convívio social.

A resposta democrática ao discurso que nos desagrada será sempre ignorar o orador ou discursar de volta, esmagando com sólidos argumentos a tese que nos repugna. O que se pretende ao criminalizar opiniões ou o direito de manifestá-las é a consolidação por uma agressiva categoria militante de prerrogativa inconstitucional em seu favor.

Poucas questões mais absurdas que cogitar se deve haver uma exceção à proibição de discursos “homofóbicos” para ministros religiosos. A liberdade de expressão é universal e incondicional. O dia que uma lei puder nos impedir de proferir uma palavra sequer, todas as demais estarão a perigo.

E a maioria silenciosa, acomodada, terá abdicado do direito de falar.

Fotos: JustUptown, “What me worry?”, Flickr, 19 Dec 2007, Creative Commons (BY-ND); Foto: Alexandre Ferreira, “13º parada do orgulho LGBT de São Paulo”, Flickr, 14 Jun 2009, Creative Commons (BY-NC-SA); Foto: Cristiano Maia, “Pride London 2009”, Flickr, 4 Jul 2009, Creative Commons (BY-NC).

Já se foram os tempos em que as conquistas vinham do esforço pessoal, do empenho, da dedicação. Gente com garra e determinação estudava, trabalhava e lutava para progredir, para tornar-se uma pessoa preparada, um profissional competente, digno de reconhecimento e da honrosa designação de “especialista”.

Vivemos hoje a lamentável valorização da mediocridade e da baixaria, que eleva à condição de “celebridade” qualquer grotesca nulidade que entusiasme a entorpecida audiência dos vulgares reality shows da televisão. É o triste nivelamento cultural por baixo.

Pior, no entanto, é a deliberada investidura em autoridade de pessoas despreparadas e com agendas que lhes retiram, no mínimo, a isenção para informar.

São aqueles a quem a imprensa de hoje se refere como “especialistas”.

Poucos são os artigos e reportagens sobre temas de interesse coletivo que não atribuam a um punhado de lobistas da causa sob discussão a condição de especialistas. Assim, sociólogos viram especialistas em segurança pública, ensino, transporte de massa e meio ambiente, assuntos que, no mais das vezes, desconhecem por completo. E que abordam com absoluta parcialidade.

Para a imprensa, o dever de verificar os fatos e colher opiniões abalizadas fica fácil, quando um auto-entitulado “especialista” se apresenta para emitir conceitos, sobretudo se tais conceitos vão de encontro à linha editorial do periódico.

Mas o resultado é perigoso: a informação transmitida aos leitores está viciada pela atribuição de autoridade a pessoa sem efetiva qualificação, que persegue tão somente, a disseminação do que pretende ver percebido como verdade. Pura enganação, travestida de sabedoria.

Como bem dizia meu pai, prova-se hoje com “especialistas” o que antes se provava com “estatísticas”. Ou seja, qualquer coisa…

Já houve época em que a designação de “jurista” pressupunha, ao menos, o respeito à produção intelectual de um advogado por seus pares. Hoje, o mundo está repleto de “juristas” auto-designados, cujo conhecimento jurídico cabe num dedal.

A designação “cineasta”, antes reservada aos grandes diretores, praticamente virou a resposta dos responsáveis por quaisquer filmetes – daqueles cujo conteúdo mais consistente é a lista das 27 empresas que financiaram o que a bilheteria jamais viabilizaria – quando se lhes perguntam a profissão.

O número de auto-entituladas “atrizes, modelos e apresentadoras” dentre as mocinhas que somente aspiram a tais carreiras, só empalidece diante da facilidade com que qualquer jovem atriz – que ainda não disse a que veio – é alçada a “estrela” pelas revistas de foto-fofocas.

É isso. A “mais nova sensação”, a “verdadeira revolução”, o “grande sucesso” do momento, é a absoluta falta de humildade.

Foto: Wamdé, “Shell Gas Specialist”, Flickr, 19 Aug 2010, Creative Commons (BY-SA), editada.

O primeiro e tardio post de 2011 chega em dias em que os cariocas lamentam o trágico assassinato de crianças por um psicopata numa escola em Realengo. Nossa solidariedade às famílias, uma luz singela em homenagem aos que tão cedo se foram.

A intransigente defesa das liberdades e direitos individuais, que o Blog insiste em fazer, torna inevitável rebelar-se contra os que, em momento de luto, buscam apoderar-se do drama dessas famílias para tentar violentar o direito que temos todos à defesa que o Estado se revela impotente para prover.

O tema é extenso e será desenvolvido em página separada, com link na barra superior, sob o título “Desarmamento”. Ou clicando aqui.

Aos sempre benvindos leitores, nossos votos de que seus caminhos passem sempre ao largo da dor e da violência.

Foto: Myrrien, “End the violence”, Flickr, 12 Jan 2008, Creative Commons (BY-ND)

É hora de agradecer aos leitores que visitaram o meu Lugar em 2010, desejando a todos um Natal de muita Paz, saúde e sucesso no Ano Novo.

A imagem do Ibirapuera é para lembrar aos meus conterrâneos cariocas que, nesse Brasil brasileiro, há beleza também fora do Rio de Janeiro.

Encerramos o ano com otimismo, comemorando a gloriosa vitória do nosso Fluminense, e esperando uma verdadeira revolução na Cidade Maravilhosa, que se prepara para ser o centro das atenções do Planeta em 2016.

Quero acreditar que estaremos juntos até lá!

Abraços,

Aventoe

Foto: Rafael Pacheco, “Natal no Ibirapuera”, Flickr, 7 Dec 2007, Creative Commons (BY-NC-SA).

O outro lado do medo é a liberdade. Nos dias atuais, cada vez mais, restringimos nossa liberdade devido ao medo. O lugar deserto e escuro que assustava nossos pais cedeu lugar ao lugar claro e movimentado onde o mal age também. Gente ruim, cuja maldade os antropólogos de plantão tentam atribuir às vítimas – ignorando a legião de miseráveis honestos e a generosa dedicação aos necessitados de tantas vítimas – nos espreita, persegue, acua, ataca…

Só não chegam mais perto, atacam com mais voracidade e tomam o controle total de nossas vidas, porque entre nós e eles há uma linha fina que nos protege, homens mal pagos de azul, que arriscam suas vidas para defender as nossas.

O tédio das longas esperas, na eterna dúvida sobre o retorno ao lar, a incerteza do treinamento longe do ideal, do equipamento inferior, cedem de súbito lugar à urgência de agir, ao risco que se procura calcular, ao medo que se precisa vencer.

Porque é esse o trabalho de quem nos separa dos nossos piores pesadelos. Nada glamuroso, como nos seriados de ação. Chão duro, criminosos sem nada a perder, balas voando. Morte. Famílias desamparadas, quando o pai ou a mãe tombam na linha de frente e não voltam para casa…

Atrás da roupa preta da elite dessa tropa, alguém como eu ou você, com sonhos, esperanças, uma vida pela frente, que precisa achar a coragem para enfrentar aquilo de que preferimos nos esconder.

Gente que sob ataque não solta uma pombinha branca, pratica ao vivo a letra do nosso Hino: não foge à luta.

Empunha a arma que lhe demos e pedimos que use por nós, mas quando mata, é perseguido pelas hordas de especialistas, defensores intransigentes dos direitos humanos daqueles que, sem hesitar, ignoram os nossos.

Quando morrem, é isso mesmo, ossos do ofício… Ninguém se levanta para homenagear os que tombaram em nosso lugar.

Não se venha falar nesse momento dos maus policiais. Há muitos deles, sem dúvida. Descobertos, que a Lei tome seu curso. Mas que não se os presuma culpados até prova em contrário.

É fácil fazer pouco de gente humilde, com pouco estudo, poucas oportunidades, que com recursos limitados tenta fazer um dos trabalhos mais duros da lista: impedir o avanço do mal sobre a população indefesa.

Com todos os seus defeitos e limitações, são anjos da guarda de carne e osso, proteção que não vem de Deus, mas também age para salvar.

As recentes operações em comunidades cariocas, libertadas do jugo cruel do tráfico de drogas, alteraram um pouco a percepção que a população tem de suas forças policiais. Foram cenas inéditas de apoio e admiração que podem gerar uma verdadeira transformação, mesmo naqueles policiais que tem uma visão mais utilitária de sua posição.

Não há nada como o respeito coletivo para criar nos nossos policiais o orgulho em bem servir a comunidade a que pertencem.

Por isso, quando cruzar com um policial, sorria, cumprimente-o. Prestigie alguém como você que escolheu o caminho mais perigoso, para que o seu seja mais seguro. Faça sua parte. É bem mais fácil que a dele.

Fotos: Jônatas Cunha, “O Outro Lado do Medo é a Liberdade” (Editada), Flickr, 23 Dec 2009, Creative Commons (BY-SA); Pēteris, “Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro”, Flickr, 1 Jan 2009, Creative Commons (BY); Victor Hugo Alves, “Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar – BOPE”, Flickr, 7 Sep 2006, Creative Commons (BY-NC-ND); Daniel Garcia Neto, “Forte de Copacabana”, Flickr, 27 Oct 2008, Creative Commons (BY); Daniel Zanini H., “Rio de Janeiro Hot I”, Flickr, 11 Apr 2008, Creative Commons (BY-ND); Jorge Andrade, “Polícia Militar, Rio de Janeiro” (Editada), Flickr, 27 Sep 2010, Creative Commons (BY).

Tem coisa melhor que um bom filme? Talvez, mas não são muitas.

Você aperta play, louco para ver o filme.  Comprou o DVD na loja, com imposto e nota fiscal, mas precisa aguardar a solene exibição – às vezes em vários idiomas – dos alertas do FBI (FBI?) e da Interpol, segundo os quais é crime vender, emprestar ou sonhar com o filme sem pagamento adicional. Pondera que se o filme fosse pirata começava mais rápido, mas enfim…

Segue-se a informação de que a distribuidora e suas afiliadas até o décimo-terceiro grau não são responsáveis pelas opiniões do Batman sobre os trejeitos do Robin. Num mundo em que a liberdade de expressão caiu vítima do patrulhamento ideológico, a ressalva é talvez razoável, além do que os advogados precisam ganhar a vida!

Vem a primeira vinheta, a segunda, dependendo do número dos produtores e do ego de cada um deles, várias outras.  Sua paciência meio no fim, você começa a apertar DVD Menu, na tentativa de ver a parte que lhe interessa do filme que comprou. Sorry, a função não está ainda disponível.

É preciso, às vezes, assistir a uma meia dúzia de trailers (alguns incompatíveis com a faixa etária do público alvo do seu filme) e, pior, aos filminhos que comparam o comprador de filme pirata ao traficante de drogas, para horror de seus altivos familiares, com troco em munição… Só que o filme que você comprou não é pirata! Se fosse, não incluiria nada do que você viu até agora.

Finalmente vem o menu. De acordo com a criatividade da distribuidora, teremos que ver até minutos de imagens que se sobrepõem (algumas revelando cenas que preferiamos ver na cronologia certa), com emocionante música de fundo, até que o disco brilhante nos libere, finalmente, o acesso ao nosso objetivo inicial.

Não me entendam mal. Nunca comprei um filme pirata, nem pretendo. Não fosse o respeito aos legítimos direitos autorais, seria o pragmatismo de quem gosta muito de filmes: se a indústria não lucrar com a exibição, não vai produzi-los, e os navios que ficaremos a ver serão exibidos em papel.

Então fica combinado: eu respeito os direitos de quem faz e eles respeitam os direitos de quem vê. Acesso direto ao filme já!

Imagem: As logomarcas nessa composição são de titularidade dos respectivos proprietários, obtidas na Internet e usadas com base nas disposições de uso aceitável para fins de crítica ou comentário da legislação norte-americana. © Logos in this picture are copyright of The TimeWarner Company (Castle Rock, New Line Cinema & Warner Bros. Pictures), 20th Century Fox, Metro Goldwyn Mayer (MGM), Viacom (Paramount), DreamWorks, Miramax Films and Lakeshore Entertainment. Images from the Internet used under fair use provisions for commentary or criticism of US Trademark Law.

A vontade de palpitar falou mais forte que a humildade e, com a inevitável ressalva quanto aos poucos anos como torcedor num esporte que pouco praticou, volta Aventoe a falar de futebol. Gostaria que o post fosse lido por Muricy Ramalho, brilhante técnico do seu time do coração, mas tem a presunção de achar que poderia ser útil aos demais profissionais do ramo.

Você que entende de futebol, pare de ler por aqui ou prossiga com aquele sorriso de indisfarçada superioridade com que os experts toleram os palpites dos amadores.  Vamos lá:

O índice de aproveitamento de tiros de meta e passes longos é insignificante. São centenas de tentativas para cada uma que resulta, ao menos, em boa oportunidade de finalização. Invariavelmente, tudo que conseguem é trocar 100% da posse de bola por 50% de chance (ou menos, se houver risco de saída pela lateral). A bola voa, jogadores correm de costas, pulam e batem cabeças, para disputar novamente a bola que já era do time.

Com todas as vênias aos entendidos, Aventoe não vê sentido nisso. Essas centenas de tentativas, se empregadas em jogadas trabalhadas, dificilmente teriam resultado menos útil.

O risco só parece justificado em três hipóteses:

1. A necessidade urgente de tirar a bola da proximidade da área, quando o risco de perder a posse de bola é preferível a entregar um escanteio ou lateral ou, pior, fazer uma lamentável falta.

2. Nos momentos finais do jogo, em que se persiga o empate ou a virada, quando não há mais tempo para trabalhar o avanço cuidadoso da jogada.

3. Quando o time tem um jogador posicionado à distância, livre de marcação e em condição legal de jogo — desde que quem chuta seja preciso nos passes longos (Conca, Deco e outros menos cotados).

Enfim…

Se você continua com o tal sorriso de superioridade, que bom te fazer sorrir! Mas se acha que o palpite fez sentido, aviso logo que Aventoe não aceitará convite para substituir o Mano Menezes

Foto: Mary Keogh/Maenie, “Goal Kick – FA Carlsberg Vase Final 2009 – Glossop North End v Whitley Bay“, Flickr, 10 May 2009, Creative Commons (BY)

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Topo: Foto: RemixDave, “Yoyogi Park Panorama", Flickr, 28 Nov 2010, Creative Commons (BY-NC-SA), editada. Widget: Benvindo! Foto: Jimmy Joe, “Welcome!”, Flickr, 19 May 2007, Creative Commons (BY). Aventoe em Inglês: Foto: Rob Friesel/Found Drama, “Lake Champlain Sunset” (editada), Flickr, 23 Nov 2006, Creative Commons (BY-NC-SA), usada no cabeçalho de “Keyboard Times”, um blog de Aventoe.

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